Pontos de Vista

Atos políticos, pedagógicos e amorosos

há 1 semana atrás • Pontos Diversos

Você já parou pra pensar nas pequenas peças que fazem parte de uma frente de ação institucional? Normalmente, quando vemos os frutos disso, pensamos no que é formado por essas peças, no entanto, ao aproximarmos nossa perspectiva é possível ver como cada pequena parte se junta para alcançar tais resultados. Na Pontos Diversos, o panorama geral de sua prática é marcado por características que moram nos detalhes dos seus atos mas que estruturam a operação da organização. Como proposto pela metodologia Travessias, os atos da Pontos Diversos são pensados para serem sempre políticos, pedagógicos e amorosos.

Sozinha, nenhuma peça de quebra-cabeça faz sentido na Pontos, essas três são como aquelas as quais a ausência gera frustração por bagunçar o sentido de todo o resto já montado. Antes de qualquer sucesso a se orgulhar, há o entendimento de que cada ação é política e pedagógica: política porque nenhuma escolha é neutra e toda prática comunica uma visão de mundo; pedagógica porque toda relação também ensina, seja pela linguagem, pelo espaço, pelo tempo ou pela forma como diferentes saberes são colocados em diálogo. E amar pode ser uma prática de liberdade que une os três atributos, usando os ensinamentos de Bell Hooks para apresentar o amor como uma ação ética que exige responsabilidade e que prioriza o respeito e o cuidado para que ensinar também seja possibilitar que cada existência seja valorizada.

Mas antes dessas peças se juntarem, elas ganham sentido próprio isoladamente. A Metodologia Travessias é escrita para reforçar que um princípio orientador não é uma fórmula pronta a ser aplicada, mas um caminho que se constrói na relação com os sujeitos e os territórios. Por isso, os movimentos que originam esse caminho são essenciais para a atuação: sonhar, criar e enraizar.

Sonhar, nesse sentido, é também um ato político, especialmente em realidades nas quais determinados sujeitos tiveram historicamente o direito de sonhar negado. Criar possibilita a sustentação de perguntas vivas e permite que elas orientem processos conectados à realidade. Enraizar é unir os três movimentos e torna a ação, não mais em um resultado isolado, mas em uma engrenagem que gera continuidade. Assim é formada a máquina: pelo desejo que pulsa  pela possibilidade de imaginar outros futuro; pela possibilidade de desaprender para reaprender que verdades impostas podem ser questionadas e que diferentes experiências, memórias e saberes encontram espaço para construir novos caminhos; pelo momento em que aquilo que foi sonhado e criado ganha corpo nas relações, nos territórios e nas práticas cotidianas. E o combustível que alimenta essa máquina e o óleo capaz de aperfeiçoar seu funcionamento nos mínimos detalhes, é produzido pelo seu próprio corpo.

São nesses movimentos que os atos políticos, pedagógicos e amorosos deixam de ser apenas características desejáveis e passam a orientar concretamente o modo de fazer da organização. Assim, as peças não estão separadas. Elas se atravessam. Escutar é político, porque reconhece vozes e saberes. Escutar também é pedagógico, porque permite aprender com o outro. E escutar com cuidado é uma forma de amar. Acolher o imprevisível, valorizar os afetos, reconhecer a potência das relações e olhar para o todo são movimentos que ajudam a construir essa mesma trama.

E você, já pensou em incorporar tais valores às suas próprias ações?

#Diversidaade #MetodologiaTravessias